17 de janeiro de 2012

"I die a little every day

I die a little anyway
For the memories, for hell inside of me..."


 
Ele estava lá, e seus três amigos também. Como no Cassino Royale, a roleta girava, e tudo o que se podia ouvir era o som das casas sendo percorridas, preto, vermelho, preto, vermelho... Eu precisava de um 17 e isso era tudo. Mas ele acertou, e eu não podia deixar isso passar. Dezessete, aproveite meu amigo, este será seu último número.

Fileira 24F, essa era a referência. Desativo o alerme, abro a porta e ele surge três carros depois do meu, cambaleante, com aquele sorriso convidativo, provavelmente pensando em como gastar aqueles dezesseis mil. Seu último pensamento.


13 de janeiro de 2012

"Instead of complaining

I could've been gaining
Good times..."


E ele estava lá sentado naquela velha poltrona, vermelha e desbotada, a mesma de vinte anos atrás. Depois de um gole de realidade, subitamente se deu conta do quão velho estava e do tempo que havia perdido... Passara a vida submerso naqueles livros, revivendo cada parágrafo, refazendo as estrofes, modificando as rimas, adequando o enredo. Ele viveu. Histórias que não a dele, no entanto, viveu. Tão furtivamente, que hoje, apenas hoje percebeu que sua vida sempre foi um palco, mas para histórias que não a sua. 

12 de janeiro de 2012

"My hands they were strong

But my knees were far too weak
To stand in your arms
Without falling to your feet..."



Música aleatória, para alguém aleatória em uma vida aleatória. É assim que eu começo. Essa sou eu, a eterna espectadora de vidas alheias, de histórias que não são minhas, de sentimentos implantados assim como as memórias. E - é tudo sobre essas histórias - que eu criei, inventei e absorvi, elas me fazem e desfazem. Isso é tudo o que eu sou.

Um ser fictício em uma vida real.